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Viana do Castelo recebe Pólo Arqueológico que vai agregar espólio dos dez municípios do Alto Minho
O Lote 60 do Parque Empresarial da Praia Norte foi o local cedido pela Câmara Municipal de Viana do Castelo para acolher o futuro Pólo Arqueológico do Alto Minho, infraestrutura de escala supramunicipal que vai acolher, conservar, valorizar e promover o espólio dos dez municípios que compõem a Comunidade Intermunicipal do Alto Minho (CIM Alto Minho).
Este foi um desafio lançado pela CCDR Norte - Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do NORTE, em parceria com a CIM Alto Minho, tendo o Município de Viana do Castelo disponibilizado um espaço “com localização e condições de excelência” para valorizar o espólio da região, de acordo com António Barbosa, Presidente da Comunidade Intermunicipal.
O Presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo, Luís Nobre, felicitou a CCDR-Norte por “desafiar” a região a criar redes de polos arqueológicos, num projeto conjunto para o qual o Município “colabora com experiência, cedência de espaço e execução da obra”.
O autarca indicou que este será, mais do que um espaço para armazenamento de espólio, um local “de investigação, de partilha de conhecimento, valorização, projeção e atratividade”.
Já Rui Costa, Vice-Presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte para a área da Cultura, destacou o projeto “com qualidade, profundidade e sentido de responsabilidade”, naquele que considerou ser “um exemplo de capacidade de visão e organização”.
Em julho passado, recorde-se, a autarquia aprovou a abertura de concurso público, peças e nomeação de júri para a empreitada de “Execução do Polo de Arqueologia – Viana do Castelo”, por um valor base de 1,230 milhões de euros, a ser implementado na Zona Empresarial da Praia Norte. A abertura deverá acontecer dentro de cerca de dois anos, após 365 dias previstos de empreitada e um ano para apetrechamento do espaço.
O arqueólogo Miguel Costa explicou que o futuro Pólo Arqueológico será “uma infraestrutura partilhada para apoiar a gestão, conservação, estudo e valorização do património arqueológico do território” do Alto Minho. “Iremos concentrar neste local o espólio que cada um dos dez municípios quiser entregar, criar condições de salvaguarda, promover o conhecimento e partilhá-lo com a comunidade”, frisou.
O arquiteto responsável, Paulo Trindade, indicou que o local terá “imenso espaço para armazenamento e exposição” no andar de baixo, que contará com área multimédia, área de armazenamento, balneários, WC’s, áreas de trabalho, integrando ainda um módulo externo com tanque para submersão das pirogas monóxilas. Já o piso 1 terá zona de estar, área de estudo, espaços dedicados à academia e visitantes, gabinetes e laboratórios.
“Propõe-se um módulo cápsula, para tratamento das canoas, já que estas serão submergidas em tanque descontaminante e necessitam largos anos de estágio na sua preparação. Dadas as características especificas desta intervenção, concretamente a difícil temperatura ambiente estável, assim como a submersão em líquidos específicos, que produzem sempre alguma contaminação no ambiente de trabalho, optou-se por construir no logradouro a poente, em alinhamento com construções vizinhas, o que se designou por Cápsula de tratamento das canoas”, refere a memória descritiva.
Durante a sessão pública, que aconteceu integrada nas Jornadas Europeias do Património 2026, foi ainda assinada uma Declaração de Compromisso para a Cooperação entre o Município de Viana do Castelo e a Escola Superior de Educação da Universidade Politécnica de Viana do Castelo.
Nesse âmbito, o Município assegurará o acesso aos espaços de gestão municipal (Pólo Arqueológico, museus e sítios arqueológicos), o apoio logístico e de segurança necessário, bem como a promoção e divulgação de iniciativas junto da comunidade e dos órgãos de comunicação social; e a Escola Superior de Educação garantirá o apoio científico e pedagógico na conceção dos programas, a colaboração de docentes e investigadores para a coordenação técnica, o incentivo à participação dos estudantes e a difusão das ações no meio académico.
O projeto do Polo Arqueológico do Alto Minho foi desenvolvido de modo a garantir condições adequadas de depósito, inventário, preservação, digitalização, gestão e acesso, para investigação e mediação, a espólios resultantes de intervenções de Arqueologia. Visa promover a qualificação de serviços de Arqueologia de base local e regional e visa também promover a produção de conhecimento arqueológico sobre o território, realizada no território.
Tem também como propósito promover a integração de tecnologias digitais na divulgação e mediação de património arqueológico; promover a valorização cultural e turística do património arqueológico.