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Viana do Castelo promove programa de recuperação ecológica dos 13 monumentos naturais locais

22 Novembro 2018

A Câmara Municipal de Viana do Castelo, no âmbito da estratégia municipal de conservação da natureza, iniciou um programa de recuperação ecológica dos 13 monumentos naturais locais, assim classificados devido ao valor científico que têm para a geodiversidade, sendo alguns também relevantes sob o ponto de vista da biodiversidade (sítios de importância comunitária da Rede Natura 2000). As tarefas a serem realizadas contam, numa primeira fase, já em curso, com o abate e remoção de invasoras lenhosas, como a acácia (de diversas espécies como a mimosa, a austrália e a acácia de espigas), o eucalipto, a háquea e de outras espécies, como a cana-do-reino, o chorão, a tradescância (conhecida como a erva-da-fortuna) e a erva-das-pampas.


Como forma de também comemorar o Dia Nacional da Floresta Autóctone, que se assinala a 23 de novembro, o município iniciou os trabalhos na primeira área a intervencionar, o Monumento Natural da Ribeira de Anha, com cerca de 41 hectares, classificado pelo município de Viana do Castelo em 2016, sendo esta uma intervenção realizada em duas fases. A primeira fase prevê o abate e remoção das invasoras entre a foz do rio Lima e até à foz do ribeiro de Anha, e a segunda fase implicará a plantação de vários milhares de pinheiros, de medronheiros e de pilriteiros, entre outras espécies nativas portuguesas (também designadas indígenas ou autóctones).


A recuperação ecológica deste monumento natural está a ser feita em parceria com a Quercus e através de ações de plantação por voluntários – munícipes e empresas – e pelos alunos das escolas do concelho de Viana do Castelo. É também objetivo desta iniciativa sensibilizar os participantes para ações subsequentes que garantem a qualidade ecológica do espaço, nomeadamente a vigilância para controlo das invasoras e do crescimento vegetativo das espécies nativas introduzidas.


O Monumento Natural da Ribeira de Anha conserva o resto de uma praia de seixos do último interglaciar, com idade absoluta próxima de 125 mil anos. Este registo é, até ao momento, o único deste género na costa do Alto Minho, conhecendo-se só mais um, no setor costeiro da Gelfa-Forte do Cão.


Este monumento natural também regista testemunhos das plataformas costeiras do último interglaciar, que estão neste local cerca de 1 metro abaixo das congéneres a norte do Rio Lima e em resultado de uma falha geológica com atividade recente (movimento vertical de 0,008 mm/ano) e sobre a qual o rio Lima se instalou. Ocorrem também neste monumento natural geoformas costeiras como sapas e marmitas, do penúltimo interglaciar (idade absoluta aproximada de 245 mil anos) e salinas de idade pré-romana.