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Viana do Castelo assinala Dia Internacional dos Direitos Humanos com “dever de gratidão” para com Aristides Sousa Mendes

11 Dezembro 2020

O Município de Viana do Castelo assinalou ontem o Dia Internacional dos Direitos Humanos com cerimónias que representaram o “dever de gratidão e de memória” para com Aristides Sousa Mendes. O programa de homenagem iniciou com o descerramento de uma placa na nova Praça Aristides de Sousa Mendes, no espaço requalificado da Praia Norte.


O Presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo referiu que este Dia Internacional dos Direitos Humanos foi resultado da II Guerra Mundial, pretendendo evitar que “situações que aconteceram nesse período se repitam”. Por isso, para José Maria Costa, fez todo o sentido prestar homenagem, nesse dia, a “uma personagem que nos envolve no sentido de humanidade”. "Nós todos, como Humanidade, temos um dever de gratidão e de memória para com Sousa Mendes", declarou.


O edil referiu ainda que o homenageado foi “alguém que escreveu em letras bem profundas aquilo que são os direitos humanos”, considerando que “são homens como Aristides de Sousa Mendes que fazem a diferença”. "Depois de ver o filme «O Cônsul de Bordéus» e das peripécias que me contaram sobre o Aristides Sousa Mendes, deixei-me apaixonar por esta figura notável portuguesa e pelo seu grande sentido de humanidade", realçou o autarca.


Na cerimónia esteve presente o neto do antigo cônsul de Bordéus, Gerald Tremblay de Sousa Mendes, que ocupa o cargo de Presidente do Conselho Geral da Fundação Aristides Sousa Mendes. Referiu que o avô deixou 14 filhos e hoje tem "mais de 100 descendentes” espalhados pelos Estados Unidos da América, Bélgica, França, Canadá e Portugal. "É muito importante para a família, 80 anos depois dos eventos, a reabilitação de Aristides Sousa Mendes, principalmente neste Dia Internacional dos Direito Humanos. Tem um grande significado porque hoje há muitos refugiados no Mundo", comentou o familiar, admitindo o orgulho por ver o avô ser “recordado internacionalmente” e de forma “universal”.


Também João Dinis Lourenço, vice-cônsul de Bordéus durante 50 anos, em representação do Comité Nacional Francês Aristides de Sousa Mendes, lamentou que o homenageado tenha sido “julgado e condenado por desobediência”, facto que “lhe destruiu a vida profissional e pessoal, mas que salvou milhares de vidas”. “Morreu pobre, desiludido e esquecido”, frisou, destacando a importância da homenagem promovida pelo Município de Viana do Castelo.


As comemorações integraram ainda a conferência “A lista de Aristides Sousa Mendes”, por Ana Cristina Luz, autora do livro com o mesmo nome. A escritora frisou o facto de, com esta obra, ter tido o objetivo de “dar um rosto àqueles nomes”, tendo identificado e contado a história de “mais de 50 nomes do mundo da cultura que foram ajudados por Aristides de Sousa Mendes”.


A celebração da efeméride terminou com a exibição do filme “O Cônsul de Bordéus”, gravado integralmente em Viana do Castelo, com a presença do produtor José Mazeda.


Aristides de Sousa Mendes, nasceu em 19 de julho de 1885 em Cabanas de Viriato, concelho de Carregal do Sal, na Beira Alta e morreu em 3 de abril de 1954. Foi o diplomata que, no início da Segunda Guerra Mundial, e quando desempenhava as funções de cônsul em Bordéus, concedeu cerca de 30 mil vistos para salvar a vida de refugiados do nazismo, a maioria judeus, contra as ordens expressas do então regime do Estado Novo. Obrigado a voltar a Portugal, foi demitido do cargo e ficou na miséria, com a sua numerosa família. Morreu na pobreza a 03 de abril de 1954, no Hospital dos Franciscanos, em Lisboa.


Só em 1966 foi reconhecido pelo instituto Yad Vashem, memorial dos mártires e heróis do Holocausto, como um “Justo entre as Nações”. Em 1998, foi condecorado a título póstumo com a Cruz de Mérito pela República Portuguesa pelas suas ações em Bordéus.