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Publicação celebra os 136 anos do Teatro Municipal Sá de Miranda como “casa da cultura vianense”

30 Abril 2021

A Câmara Municipal de Viana do Castelo lançou ontem o livro “Teatro Municipal Sá de Miranda (1885-2020)”, da autoria de Paula Anjos, para assinalar os 136 anos de existência da “casa da cultura vianense”.


Na apresentação da publicação, o autarca, José Maria Costa, referiu que “uma cidade sem teatro não é bem uma cidade” e que, por isso mesmo, o edifício “tem um significado muito especial para nós”. A obra agora lançada foi o culminar de uma investigação de cinco anos por parte de autora e servirá de base ao processo de classificação do Teatro Municipal.


“Este teatro foi construído para que a nossa cidade tivesse mais vida cultural”, vaticinou, agradecendo à companhia residente, Teatro do Noroeste – Centro Dramático de Viana por “ter sido, de certa forma, a alma do Teatro”. “O facto de termos uma companhia residente significa que temos uma reflexão permanente sobre o teatro e a formação constante de públicos. Importa recordar que foi a primeira companhia a nível nacional a fazer a transmissão de peças de teatro on-line”, recordou o edil.


A cerimónia contou com um momento teatral inspirado numa monografia de Amadeu Costa sobre o Teatro e também com um momento musical pelo artista popular Augusto Canário.


João Lomba da Costa, filho de Amadeu Costa, apresentou a obra, reconhecendo ser “uma honra enorme” apresentar um livro sobre uma casa onde passou a infância e juventude, na companhia do pai e dos irmãos. “Foi aqui que aprendi a gostar de música, ballet e teatro, porque o meu pai gostava que nós viéssemos a todos os espetáculos onde podíamos entrar”, referiu, considerando o Teatro Municipal como “a casa da cultura vianense”.


A autora, Paula Anjos, contou que foi em 2010 que visitou o Teatro pela primeira vez, para ver a peça “Era uma vez um dragão”, da autoria do amigo António Manuel Couto Viana. Agora, a professora quis “olhar para o Teatro Municipal Sá de Miranda de uma forma diferente, como uma peça de património”, contando a história de 145 anos, desde o início da construção do ex-libris vianense.


O Teatro Municipal foi mandado edificar pela Companhia Fomentadora Vianense, grupo de personalidades vianenses, constituído em 1874, com o fim de, entre outros,” proceder à edificação de um theatro, que ficará sendo propriedade sua”.


Trata-se de um belo exemplar de raiz italiana, projetado por José Geraldo da Silva Sardinha, com plateia em forma de ferradura e três ordens de camarotes, com capacidade de cerca de 400 lugares. O pano de boca foi desenhado por Luigi Manini e pintado por Hercole Labertini, cenógrafos do Teatro S. Carlos, e o teto, com retratos de dramaturgos, foi pintado por João Baptista do Rio.


Em 1985, ao celebrar-se o seu centenário, o espaço cultural foi adquirido pelo Município, tornando-se então Teatro Municipal Sá de Miranda. Numa primeira fase, a autarquia promoveu obras de beneficiação devido à acentuada degradação em que se encontrava o espaço.


Em 2000, ficaram concluídas as obras de requalificação e segurança com substituição integral da caixa de palco e instalação dos mais modernos equipamentos cénicos, que permitem pôr em cena os mais exigentes espetáculos. No logradouro interior desta casa de espetáculos foi construído um moderno café-concerto, para além de salas de ensaios e oficinas de armazéns de material cénico.


Em 2019, o Município concluiu uma outra empreitada de requalificação do Teatro Municipal, num investimento de 150 mil euros que incluiu, no exterior, o tratamento e pintura de todas as fachadas, incluindo caixa de palco; o tratamento e pintura de toda a caixilharia pelo exterior e interior; a substituição de caleiro interior orientado a norte, na cobertura; bem como obras de conservação no interior do segundo piso.