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Percursos do Homem e do Garrano vão criar percursos equestres e um novo seminário final em 2018

16 Junho 2017

O projeto “Percursos do homem e do Garrano” prevê agora previstas exposições, a realização de percursos equestres demonstrativos e um novo seminário internacional e festival do garrano a realizar no Outono de 2018, com apresentação dos resultados finais da candidatura, que irão decorrer depois do sucesso do primeiro seminário internacional e do primeiro Festival do Garrano.

É este o caminho em que o Município de Viana do Castelo está empenhado, enquanto líder do projeto “Percursos do Homem e do Garrano”, financiado pelo Programa Operacional Regional do Norte – Norte 2020. O seminário “Percursos do Homem e do Garrano no Noroeste Português”, realizado na Escola Básica e Secundária de Lanheses, contou com um painel internacional de conferencistas que comunicaram os resultados de décadas de investigação sobre a raça e o seu habitat e de experiências empresariais no campo do turismo equestre, perante uma assistência multifacetada, onde encontramos representantes políticos, associativos e empresariais, bem como investigadores de diversas áreas disciplinares.

Estiveram representadas, enquanto entidades parceiras do projeto, a Universidade de Quioto, com a intervenção de três membros do Centro de Investigação em Vida Selvagem, especialistas em cognição e comportamento de primatas e equídeos, com destaque para Tetsuro Matsuzawa, Satoshi Hirata e Renata Mendonça; e a Universidade Sorbonne Paris, na figura de Carlos Henriques Pereira, fundador e Presidente do Instituto do Cavalo e da Equitação Portuguesa em Paris, defensor do cavalo e da arte equestre portuguesa enquanto embaixadores da cultura nacional no mundo.

Foram igualmente apresentadas comunicações de dois professores da Universidade de Santiago de Compostela que dedicaram a última década à condução de projetos de investigação dedicados ao garrano, ao seu habitat e à sua relação com o lobo: Felipe Bárcena e Laura Lagos. José Veiga Maltez, Presidente da Associação Nacional de Turismo Equestre, traçou o diagnóstico e as opções estratégicas desta entidade para o sector, visão complementada pelo conhecimento e experiência de Isabel Sousa, técnica da Adere Peneda Gerês, e Henrique Rodrigues, sócio da empresa Gerês Equi’desafios. Por fim, Andreia Pereira, colaboradora deste projeto, apresentou três percursos equestres a constituir em Viana do Castelos, que serão implementados no terreno a breve trecho, cruzando o turismo de natureza e o touring cultural e paisagístico.

O cavalo e, entre este, o Garrano, foi enaltecido enquanto espécie com capacidades cognitivas que poderão ser equiparáveis às dos grandes primatas, conforme têm demonstrado os resultados de estudos pioneiros que aplicam aos cavalos metodologias análogas à investigação em primatologia no Japão. Constituindo, junto com o lobo, o último dos ecossistemas de grandes mamíferos e predadores herdado do pleistocénico, demonstrou-se o seu contributo no presente para a preservação da biodiversidade florística e faunística das habitats de montanha. Provou-se que a sua capacidade de se alimentar de tojo desempenha um importante papel na gestão da acumulação de material lenhoso combustível nas nossas serras promovendo a redução do risco de incêndio.

O Festival do Garrano, que decorreu no dia 9 de junho no Paço de Lanheses, com o apoio da associação O Caminho do Garrano e a Pony School, constituiu um momento de celebração e enaltecimento da raça garrana, onde foram demonstradas de forma exímia as suas qualidades e capacidades a nível pedagógico, desportivo e para as atividades de turismo e lazer. Um espetáculo de exaltação da arte equestre, associada aos valores e símbolos do Minho, no qual a simbiose entre cavalos e cavaleiros prestigiou o garrano, o território e a cultura tradicional da região.
De lembrar que apenas na última década foi impulsionado um movimento de reconhecimento do valor do garrano, sob o ponto de vista genético, equestre, ambiental, histórico e etnográfico, levando ao desencadeamento, no ano de 2011, do seu processo de candidatura como património nacional, meta ainda no horizonte. A projeção da importância do garrano nas suas múltiplas dimensões necessita de estudos científicos profundos e contínuos, de um debate alargado, da criação de redes de cooperação interinstitucionais e da aposta em ações de divulgação, sensibilização e demonstração que promovam as qualidades e apetências da raça.

Viana do Castelo, 16 de junho de 2017