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Obra na fachada de S. Domingos dá início a segunda fase do programa “Valorizar o Património” de Viana do Castelo

30 Setembro 2019

A fachada da igreja de S. Domingos, classificada como monumento nacional, vai ser alvo de uma intervenção de conservação e restauro, no âmbito do programa “Valorizar o Património”. Esta intervenção, segundo o autarca José Maria Costa, assinala também o arranque de uma segunda fase do programa municipal que visa, sobretudo, qualificar espaços de valor arquitetónico, histórico e artístico relevante para o território, dinamizar o potencial cultural destes espaços enquanto locais privilegiados de fruição cultural e promover e valorizar os espaços referidos enquanto locais de visitação e atratividade turística.

Esta nova empreitada, que se junta a um vasto conjunto de investimento em igrejas e espaços de valor arquitetónico, histórico e artístico que apresentavam algumas condições de risco ou desadequadas, designadamente risco de colapso físico, acesso e circuito condicionados, obras de arte em avançado estado de deterioração, ausência de conteúdos e sinalética, vai permitir a conservação e restauro passa pelo restabelecimento da integridade física, histórica e estética do conjunto que compreende o tratamento do granito da fachada principal da Igreja, o tratamento do pavimento em granito do adro, a conservação da porta de madeira, a substituição dos vãos de madeira por novos, aplicação de sistema electroestático para afugentamento de aves, reposição de pedra nova (em caso de necessidade), trabalhos estruturais e tratamento dos rebocos.

O projeto de obra a desenvolver envolve-se em grande complexidade devido aos danos a tratar, como se pode constatar pelo mau estado de conservação do granito da fachada, nomeadamente na parte inferior, onde é visível o forte decaimento. São detetadas macroscopicamente extensas áreas de intervenções anteriores, denotando a necessidade ao longo dos tempos de sucessivas tentativas de atenuar a deterioração galopante do granito.

Com um orçamento de 150 mil euros e um prazo de execução de oito meses, a obra deverá começar em Outubro, tendo sido apresentada no âmbito das comemorações das Jornadas Europeias do Património. A igreja, elaborada segundo os rigorosos planos e indicações de D. Frei Bartolomeu dos Mártires, apresenta uma fachada retabular dividida em três registos. O primeiro registo é decorado por um conjunto de colunas coríntias de fuste estriado, assentes sobre pedestais decorados com motivos rústicos de "pontas de diamante". Cada uma das colunas é acompanhada a todo o comprimento por uma pilastra embutida no pano murário. Cada uma das colunas possui um "micro- entablamento", onde os frisos são esculpidos com diversas figuras humanas, à direita figuras de profetas, à esquerda homens vestidos com trajes da época e um frade. O friso que encima o portal é decorado por motivos roll werk.

A igreja de Santa Cruz de Viana, ou São Domingos, é um claro exemplar das exigências arquitetónicas contra-reformistas. Resultado direto das diretrizes do Concílio de Trento no que respeitava à edificação arquitetónica, o convento dominicano da foz do Lima vai aliar as soluções maneiristas de vincada verticalidade e ambiguidade de escalas à finalidade catequética que se pretendia dos templos pós-tridentinos.

Recorde-se que o “Valorizar o Património” tem em conta que o Património Cultural de um território constitui a mais importante marca identitária do mesmo e que a conservação, recuperação, valorização ou divulgação deste torna-se um imperativo e também um dever para com os vindouros na transmissão de uma herança verdadeiramente fundacional, para além de desempenhar um papel fundamental no desenvolvimento policêntrico dos territórios e na coesão territorial.


Gabinete de Comunicação e Imagem
Câmara Municipal de Viana do Castelo