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Bombeiros Municipais

Bombeiros Municipais

A protecção civil, em sentido lato, é o conjunto das actividades desenvolvidas com o objectivo de prevenir, limitar e fazer face aos efeitos dos acidentes graves e das catástrofes, socorrendo pessoas e protegendo os seus bens.

Em Viana do Castelo esta actividade tem sido desenvolvida, de forma organizada, pelo Corpo de Bombeiros Municipais desde 1780, e pela Associação de Bombeiros Voluntários desde 1881, com o apoio de outras instituições de solidariedade social e, nas situações mais graves, das forças de segurança e militares. 

As diferentes formas de prever os riscos a que estamos sujeitos, seja através de métodos probabilísticos, matemáticos, ou a monitorização, implicam sempre o conhecimento dos acontecimentos passados.

Nesse sentido tem-se procurado sistematizar e organizar, através de um exaustivo trabalho de pesquisa, a relação dos desastres (que na actual nomenclatura se designam por acidentes, acidentes graves e catástrofes), que afectaram as gentes e o território do Município de Viana do Castelo.

Limitados por um lado, pela origem, método e conteúdo dos diversos elementos estatísticos que conseguimos recolher, pela sua inexistência, ou ainda pelos curtos períodos de tempo em que aqueles estão disponíveis, optou-se por considerar toda a informação publicada na imprensa periódica local e/ou regional, ou daqueles que foram objecto de referência em publicações, estudos, etc.)

Não abarcando todo o universo dos eventos permite-nos, no entanto, ter uma perspectiva abrangente daqueles que, com maior gravidade, atingiram as pessoas e os seus bens, já que o seu impacte foi objecto de atenção e de publicação.

Trabalho necessariamente incompleto, em permanente actualização e correcção, e para o qual se solicita a colaboração de todos, dando as suas opiniões, no aperfeiçoamento dos dados disponibilizados, ou apresentando novos eventos desconhecidos, contributo que enriquecerá esta memória património colectivo dos Vianenses.

icon Registo das Ocorrências do Corpo de Bombeiros Municipais
icon Registo de acidentes entre 1642 e 1997 na imprensa

Origem e História

Monarquia

República

Atual

Fundado em 22 de Março de 1780 com a designação original de Companhia da Bomba o Corpo de Bombeiros Municipais de Viana do Castelo é actualmente o terceiro mais antigo de Portugal logo a seguir aos Sapadores de Lisboa e Porto, sendo um serviço da Câmara Municipal de quem depende administrativamente.

As primeiras referências encontram-se no livro de actas do Município da Vila de Viana da Foz do Lima, do período compreendido entre 1776 e 1781 nas páginas 152-153 e onde é proposto à Nobreza e ao Povo pelo provedor da Câmara da Vila de Viana que a sua Magestade se pedisse graça de fazer uma Bomba, das sobras da siza.

Em 9 de Junho de 1787 é então decidido adquirir uma bomba conforme a seguinte decisão:

"A nove de Junho de mil setecentos e oitenta e sete nesta Vila de Viana, e Paço presidindo o Doutor Juíz de Fora, António Leite de Campos, Vereadores e Procurador abaixo assinados,
Ali foi proposto que: como no presente lançamento das sisas deste ano, se tinha tirado por virtude de sua provisão, trezentos e quinze mil sessenta e cinco réis, para se fazer sua bomba para os fogos desta vila, cujo dinheiro mando este senado, que ficasse na mão de Francisco da Rocha Franco. E porque serão feitas as averiguações necessárias por este senado, a respeito da factura das bombas, se determinou: Mandar encomendar uma a Inglaterra, conforme a do meio das três que tem a Companhia do Alto Douro, com quarenta baldes e sola, os mais aprestos necessários para a mesma bomba. Trazendo as Armas desta Câmara pintada, o ano em que foi feita em Inglaterra: a qual virá remetida a esta terra em um navio do bacalhau com a possível brevidade: para o que se mandou, que em reunião de Câmara se desse ordem necessária para um negociante do Porto, correspondente de Inglaterra fazer esta encomenda".

Bomba Braçal - 1787

A primeira estrutura devidamente organizada da Companhia da Bomba aparece no ano de 1788 quando é nomeado para Capitão da Bomba Manuel Francisco de Carvalho, "por informações de boa inteligência que tinha para este ministério, fixando-se o ordenado em dez mil reis anuais, com a obrigação de cuidar da bomba, de a mandar limpar, azeitar e untar as mangueiras e todo o mais necessário, sendo toda a despesa da Câmara. Pelo mesmo Capitão foi dado um rol não só de oficiais da Companhia, Tenente, Alferes, Sargento e Cabos, mas de todos os mais precisos para os e nanufacturas da mesma bomba, com a obrigação de fazerem todos os meses em um dos Domingos, exercícios. 

Ficarão isentos e priviligiados dos encargos da "República".

Em 1789 o Capitão Manuel Francisco de Carvalho que poderá ser considerado como o primeiro de todos os Comandantes do actual Corpo de Bombeiros Municipais é substítuido por José António Gonçalves Lemos, tendo este reorganizado a Companhia de uma forma mais elaborada e onde se pode verificar a existência de uma estrutura perfeitamente definida dentro da Companhia:

  • Capitão 
  • Sargento 
  • dois cabos 
  • vinte soldados para baldes 
  • quatro porta-machados 
  • oito para dar à bomba 
  • dois para a guiarem 
  • dois para as escadas 
  • dois para a tina de água 
  • um para o lampeão 
  • outro para o saco da bomba

Tendo sido pedido que a Câmara solicite a S Magestade lhes conceda os privilégios pelo grande benefício que resulta ao público e solicite do escrivão da Câmara lhes não lance bolêtos para aquartelamento de soldados.

Em 1791 são nomeados cinquenta cidadãos para fazerem parte da Companhia da Bomba, ficando livres dos aquartelamentos militares e dos Cargos do Concelhos a que se encontravam sujeitos com a obrigação de não não faltarem aos exercícios que o capitão fizer, nem às ocasiões precisas "em que ela deva ter o seu exercício, pelos fogos se atearem, obrigando-se por isso às penas do senado lhes impuser dentro do seu regimento e ainda da Cadeia.

Ao longo destes mais de dois séculos este Corpo de Bombeiros sofreu diversas reorganizações remontando as mais importantes ao ano de 1860 mais concretamente a 18 de Abril quando a Companhia da Bomba é reorganizada e passa a ser chamada de Companhia de Incêndios, com a obrigação de metade dos elementos pertencerem à freguesia de Santa Maria Maior e a outra metade à freguesia de Monserrate.

Em 23 de Dezembro de 1868 aparece pela primeira vez o nome de Corpo de Bombeiros quando é criado o primeiro regulamento de Incêndios do Município com o 1º capítulo a referir-se à divisão da cidade e respectivos sinais dos sinos que já existia desde 1862. As caixas de alarme foram colocadas nas várias igrejas da Cidade.

Caixa de Alarme de Incêndios
Igreja de S.Domingos

O 2º capítulo à organização e fins do Corpo de Bombeiros ou Companhia que sofre aquela que podemos considerar a quarta reorganização deste Corpo onde se define com bastante profundidade e rigor os direitos e deveres de cada um dos elementos assim como de toda a estrutura que passa a ser considerada militarmente organizada.

Em 20 de Março de 1907 é apresentado na Câmara Municipal um extenso relatório pelo então Inspector de Incêndios de Viana do Castelo, António Adelino de Magalhães Moutinho, onde se propõe uma grande reestruturação para os Bombeiros Municipais após visitas de estudo a outros Corpos de Bombeiros nomeadamente Porto, Coimbra e Figueira da Fôz estudo esse solicitado devido ao estado de grande degradação que se havia atingido.

Deste estudo e consequente relatório surge a 28 de Agosto de 1907 o "Regulamento do Corpo Municipal de Salvação Pública" onde se define num total de 145 artigos toda a estrutura organizativa do Corpo de Bombeiros e onde se propõe pela primeira vez, a criação de 4 estações ou quartéis espalhados pela cidade, que no entanto nunca foi concretizada.

Desenho dos fardamentos - 1908

Corpo activo nos finais dos

anos 20 do século passado

Em 1951 com a entrada em vigor do Regulamento Geral dos Corpos de Bombeiros passa a designar-se pelo actual nome de Corpo de Bombeiros Municipais de Viana do Castelo.

Em 1979 dá-se início à profissionalização do Corpo de Bombeiros Municipais que de uma forma gradual que acaba nos dias de hoje por ser por ser uma estrutura completamente profissional com um Quadro de Pessoal aprovado de 83 elementos, mais 6 Operadores de Telecomunicações, encontrando-se preenchido com um total de 56 elementos efectivos.

Presidente da Câmara e Corpo Activo
em Março de 2005

Tem como função e objectivo principal o salvamento e protecção de pessoas e bens, tendo como área de actuação o Município de Viana do Castelo a quem cabe a responsabilidade e intervenção prioritária, apoiando no entanto outros Corpos de Bombeiros fora deste sempre que solicitado pela estrutura da Autoridade Nacional de Protecção Civil.

Está organizado em 13 Sectores:

  • Formação
  • Apoio Administrativo
  • Salvamento em Grande Ângulo
  • Mergulho
  • Equipamento de Protecção Especial
  • Viaturas e Equipamento Pesado
  • Fardamento
  • Armazém Geral e Apoio Logístico
  • Manutenção de Instalações
  • Manutenção e Verificação de Extintores
  • Equipamento de Telecomunicações
  • Comunicações
  • Património

Conta para a execução das suas missões com 17 veículos e um barco distribuídas da seguinte forma:

  • 1 Veículo Plataforma 30 m
  • 1 Veiculo Ligeiro de Combate a Incêndios
  • 1 Veículo Urbano de Combate a Incêndios
  • 3 Veículos Florestais de Combate a Incêndios
  • 1 Veículo Tanque Táctico Urbano
  • 1 Veículo Tanque Táctico Rural
  • 1 Veículo de Socorro e Assistência Especial
  • 2 Ambulâncias de Socorro
  • 1 Veículo de Comando Táctico
  • 1 Veículo de Equipamento Técnico de Apoio
  • 1 Veículo de Apoio a Mergulhadores
  • 1 Veículo de Transporte de Pessoal Táctico
  • 1 Veículo de Transporte de Pessoal Geral
  • 1 Veículo de Operações Específicas
  • 1 Bote de Socorro e Resgate Semi Rígido

Ao longo destes 227 anos de vida esteve instalado em vários locais sendo conhecidas as instalações situadas nas traseiras dos Antigos Paços de Concelho feitas de raiz e entretanto demolidas e na Rua do Gontim de onde foi transferido para a Antiga Casa do Assento na Rua de S.José, encontrando-se actualmente instalado no novo Quartel situado na Rua de S.Vicente, Freguesia da Meadela, inaugurado por Sua Excª o Primeiro Ministro Eng. António Guterres em 20 de Agosto de 1999.

Quartel Antigos

Paços do Concelho

Quartel Actual


 

Possui um valioso espólio onde se podem encontrar devidamente restauradas a bomba da fundação datada de 1787, e todas as outras bombas braçais posteriormente adquiridas.

bomba1787.jpg bomba1852.jpg
Bomba 1787
(Inglaterra)
Bomba Picota 1852
bomba1854.jpg bomba_magirus-1911.jpg
Bomba Flaud 1854 Bomba Magirus 1911
(Alemanha)
bomba_perrier.jpg bomba_perrier_pormenor.jpg
Bomba Perrier e Bessancra 1856
(França)
Bomba Perrier e Bessancra 1856
(França) Pormenor

Em 1928 é adquirida a primeira viatura a motor. Até 1972 serão adquiridas somente três novas viaturas e uma escada rebocável com alcance de 17 metros. 

Nos últimos dois anos foram completamente restauradas.

willis.jpg studbaker.jpg
Willys Night Overland - 1928 Studbaker - 1949

É detentor da Medalha de Ouro da cidade de Viana do Castelo, crachá de ouro da Liga dos Bombeiros Portugueses entre outros vários louvores e condecorações.